Ao dia vinte de Setembro do ano da graça de 1519, faz-se ao mar, um português, ao comando de uma frota espanhola e cerca de duzentos e cinquenta marinheiros, iniciando aquela que foi a primeira circum-navegação.
Preparar um projecto com a envergadura de uma circum-navegação seria, sem dúvida, uma tarefa árdua.
A angariação de fundos envolvia jogos políticos entre as grandes potências da época.
Os interesses económicos, sobrepondo-se aos interesses científicos, ou mesmo a todos os outros interesses, levavam as cortes a despender dos seus cofres somas avultadas para a construção de navios armados.
Mas claro que, já naqueles anos doirados da história científica, a preparação de uma expedição exigia planeamento cuidado e bases científicas sólidas para permitir o seu financiamento.
Um dos recursos do nosso compatriota Fernão de Magalhães, foi o recurso ao turismo de aventura, pago com somas avultadas.
O italiano António Pigafetta foi o primeiro turista a dar a volta ao mundo. E a agência a que ele recorreu para organizar a viagem, assegurou a sua segurança, pois embora com algumas escoriações, foi um dos dezoito (18!) a regressar a Sevilha, no dia 6 de Setembro de 1522, na única nau sobrevivente – a Victoria – das cinco que desfraldaram as velas em 1519.
Por este episódio se vê que os descobrimentos da idade contemporânea são uma evolução natural do expansionismo da idade moderna. E até os métodos de financiamento foram mantidos.
Também começou naquela época a espionagem industrial, em que segredos tecnológicos de ponta foram vendidos aos adversários políticos e económicos da nação.
Foram os nossos compatriotas Rui e Francisco, irmãos de apelido Faleiro, os arquitectos da viagem que provou que este planeta é quase só água salgada e que conseguimos dar-lhe a volta sem assentar os pés em terra firme. Esses vira-casacas, nascidos na Covilhã, conseguiram arranjar maneira de calcular a longitude de uma forma fiável!
Mais ainda, já se registavam na altura, embora com o mercado ainda não regulado, transferências de jogadores, criados nas nossas escolas, para clubes estrangeiros. Grande parte da tripulação era portuguesa. Esta incluía também espanhóis, franceses, ingleses, italianos e gregos. Não é nova a tendência (ou necessidade) que o reino de Espanha tem para importar talento.
Estas transferências significariam os primórdios da colaboração científica?
Mais paralelismos serão possíveis, entre a época em que a Cruz da Ordem de Cristo ornamentou o topo dos padrões, que foram espalhados pelas terras novas, e a época em que umas dezenas de estrelinhas ornamentam uma bandeira hasteada na Lua.
Nota extra:
Foi o Rui que deu a dica ao Cristóvão.
20 setembro 2006
Turismo espacial...
Nota presa por Yosemite Sam às 23:06
1 Anotação:
Um paralelismo e uma oportunidade espectaculares!
Bem escrito e a demonstrar que ainda há "putos" que estão atentos ao presente mas não esqueceram a história...
Gostei,
Parabéns!
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