Lembram-se de quando faziam composições na escola?
Que acham desse tipo de exercícios?
Sempre achei as composições mais interessantes que os ditados e as cópias. A principal razão é óbvia: detestava que me ditassem o que escrever quando me apetecia escrever outra coisa qualquer, o que acontecia com frequência.
(Já sei que qualquer mente iluminada que relacione este pequeno facto com a psicologia humana vai interpretá-lo como reflexo de uma personalidade irreverente e avessa a ser "mandada", talvez tenha razão, mas essa interpretação ficará para outro dia, hoje não estou para aí virado)
Gosto de escrever quando não tenho mais nada para fazer... e desde há muito que penso, confesso que estupidamente e sem motivo palpável, ter o dom da palavra.
Escrevia (e provavelmente ainda escrevo) textos idiotas, sem qualquer sentido. Cheios de perguntas retóricas que sabia a priori nunca possuírem resposta, ou que nem sequer deviam ser respondidas.
Por estas e outras, era meu costume pensar que estas mariquices dos Blogs não eram para mim. Nunca fui muito em modas e ir com a corrente nunca me motivou.
Esta cabecinha tinha a sua ideia muito própria sobre estas comunidades de escrita e leitura que, na sua versão simplificada, partia das seguintes premissas:
- Os que escrevem são uns frustrados que: ou não têm mais nada que fazer, ou pensam que são jeitosos.
- Os que lêem são uns frustrados que: ou não têm mais nada que fazer, ou pensam que os outros são jeitosos.
Claro, generalizações absurdas! Vá-se lá perceber porquê...
Influências...
Houve nestes últimos dias uma influência, ou confluência estranha, de três personalidades que possuem capital intelectual suficiente para que lhes conceda crédito.
Sem o saberem, determinaram que esta minha mentalidade tacanha se abrisse a este conceito, já enraizado no mundo digital, com o qual eu nunca me identifiquei.
Um, usando da sua experiência e visão económica, anuncia, ainda que infelizmente com data incerta, a criação do seu Blog pessoal. Pretende com isso matar não dois mas vários coelhos com uma só cajadada:
- Tranquiliza o mundo anunciando publicamente que ainda vive e pensa - cada actualização do seu diário será esperada com ansiedade e recebida com satisfação por aqueles que o conhecem e lhe querem bem. Poupará anos não escrevendo uma enorme quantidade de mensagens individuais.
- Alivia um pouco a pressão - isto é qualquer coisa que pode funcionar como válvula de escape. Pregar umas marteladas nas teclas sabe bem e fazê-lo de forma a exprimir o seu estado de espírito ainda sabe melhor. Pode ser terapêutico.
- Anota ideias e partilha-as - com isso não só ajuda a sua própria memória, que como tantas outras, vai sendo menos fiável há medida que envelhece, como também permite que (alguns) terceiros abdiquem de pensar, pois terão já tudo pensado, escrito e anotado.
- etc. - sabe-se lá o que passa naquela cabecinha... por vezes surpreende!
Um segundo, encetando comigo uma conversa semi-filosófica, aquando da celebração de uma efeméride cultural, demonstra que a sua esgrima argumentativa está, como habitualmente, em boa forma mas, cedendo pontos aqui e ali, permitiu-me sentir que talvez tenha estofo para algo mais.
Um outro, resumindo humildemente e com clareza e o que pensa sobre o que pensa (ou não) uma elevada percentagem da população mundial, assumindo-se como crítico do sistema, numa comunicação em que se podia respirar o seu pessimismo, comete o erro de fazer um elogio rebuscado à minha geração e à minha juventude. Erro porque legitima a minha escrita e isso poderá ser fatal para quem a lê.
Assumo aqui publicamente e sem reservas, que se alguma destas ilustres cabecinhas resolver alguma vez partilhar as suas ideias, seja em que meio ou de que forma for, serei um leitor assíduo.
Da destreza...
Estando fora do pequeno mas precioso rectângulo ibérico que me viu crescer, sinto que estou a esquecer palavras que por lá são ditas e escritas. Outras, de outras línguas, estão a ocupar o seu lugar.
Ora o jogo das palavras, como qualquer outro, para se jogar bem é preciso praticar!
Suplantando quaisquer outros motivos, é esse jogo que me atrai. E não quero, também neste, perder a pouca agilidade que tenho, ganhando uma camada de gordura sobre uma musculatura enfraquecida.
Hoje convenci-me de vez!
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